quinta-feira, 21 de maio de 2026

Professora Maria Luiza Coelho Brandão - Educadora.

 

Professora Maria Luiza Coelho Brandão foi daquelas pessoas que deixam marcas profundas por onde passam. Sua história começou na pequena cidade de Esperança, na Paraíba em 17 de março de 1934, mas os caminhos da vida a levaram ainda muito jovem, ao lado dos pais, para Floriano, no Piauí. Foi ali que construiu suas primeiras bases, alimentando sonhos e cultivando o propósito que definiria toda a sua existência: ensinar, educar e transformar vidas.

Na juventude, seguiu para Teresina, onde concluiu o curso normal e abraçou com amor a missão do magistério. Ainda tão jovem, recebeu a responsabilidade de exercer a nobre profissão de professora na cidade de São Domingos do Maranhão. Não demorou para que seu talento, sua dedicação e sua liderança fossem reconhecidos, assumindo a direção do Grupo Escolar Deputado Moreira Lima, conduzindo com firmeza e carinho o futuro de tantas crianças.

Foi também em São Domingos do Maranhão que Deus desenhou um dos capítulos mais bonitos de sua trajetória. Ali conheceu Mário Silva Brandão, o homem que seria seu companheiro de vida, seu porto seguro, seu grande amor. Da união construída com respeito, cumplicidade e amor nasceram Francisco Brandão e Carlos Brandão (in memoriam), frutos de uma família edificada com valores sólidos, fé e dedicação. Com o passar dos anos, já em Imperatriz com os casamento dos seus dois filhos  vieram também os netos — Marcella e  Marcio, filhos de Francisco e Rosilene e da união entre Carlos e Irani, nasceu Carlos Henrique — trazendo ainda mais luz e alegria para uma vida já tão rica em afeto.

Nos anos 1960, a família Brandão com seus dois filhos chegou à cidade de Imperatriz, no Maranhão. A cidade crescia, mas ainda enfrentava grandes desafios, especialmente na educação. E foi ali que Dona Maria Luiza mais uma vez mostrou sua grandeza. Tornou-se a primeira diretora do Grupo Escolar Estado de Goiás e, diante da falta de professores, multiplicava-se em esforço e compromisso. Lecionava durante o dia, ensinava à noite, dedicava-se a outras escolas, formando gerações inteiras de estudantes que encontraram em sua presença não apenas uma professora, mas uma referência de disciplina, cuidado e amor ao conhecimento.

Sua vida foi feita de entrega. Entrega à educação. Entrega à família. Entrega às pessoas.

Em 2006, enfrentou uma das maiores dores de sua caminhada: a partida de seu amado esposo Mário Brandão, após mais de cinquenta anos de uma união construída sobre amor e fidelidade. Já aposentada, assumiu com dignidade e coragem os cuidados com o pequeno comércio da família, mantendo vivo o legado construído a dois.

Mas o tempo, que tantas histórias viu nascer através de suas mãos, também trouxe desafios silenciosos. A doença de Alzheimer chegou, levando aos poucos lembranças que um dia haviam ajudado a construir tantas memórias na vida de outras pessoas. Ainda assim, sua essência permaneceu intacta no coração daqueles que a amavam.

No dia 14 de outubro de 2019, Dona Maria Luiza partiu para a eternidade. Um detalhe parece ter sido desenhado pelo próprio destino: ela se despediu deste mundo exatamente um dia antes do Dia dos Professores, data que simboliza tão profundamente a missão que abraçou durante toda a vida. E no dia 15 de outubro, quando tantos educadores recebiam homenagens, ela recebia a última despedida daqueles que aprenderam a amá-la.

Hoje, repousa no Cemitério Campo da Saudade, ao lado de seu amado esposo Mário Brandão e de seu querido filho Carlos Brandão. Mas sua verdadeira morada continua viva: permanece nas salas de aula que ajudou a construir, nos alunos que ensinou, nos filhos e netos que criou com amor, e na memória de uma cidade que teve o privilégio de conhecer uma mulher que fez da educação um ato de amor e da própria vida um exemplo de dedicação, fé e generosidade.

Localize o túmulo da Professora no Cemitério Campo da Saudade clicando no link abaixo:

Túmulo da Professora Maria Luíza Brandão - Google Maps

Algumas pessoas passam pelo mundo. Outras o transformam. Professora Maria Luiza Coelho Brandão pertenceu à segunda categoria. Seu nome permanece vivo, eternizado no coração daqueles que tiveram a bênção de caminhar ao seu lado.

Por sua vida dedicada em prol da educação em nossa cidade, a Prefeitura Municipal de Imperatriz a homenageou, inaugurando em 16 de julho de 2021 a Escola Municipal de Educação Infantil Maria Luiza Coelho Brandão, localizada no Residencial Dom Affonso Felipe Gregory, no bairro Bom Jesus.

Localize a Escola Municipal de Ensino Infantil Maria Luíza Coelho Brandão clicando no link do Google Maps abaixo:

EMEI Maria Luiza Coelho Brandão - Google Maps.


A jovem normalista Maria Luiza Coelho Brandão.


                                                      
Professora Maia Luiza poucos meses antes de sua partida para a eternidade.


Carlos, sepultado junto aos seus pais Maria Luiza e Mário Brandão.


Professora Maria Luiza e seus dois filhos, Carlos (ao meio) e Francisco.

                                              
                                       

Lápide do leito eterno de Dona Maria Luíza seu esposo Mário e seu filho Carlos.
                                        



Túmulo da Professora Maria Luíza Brandão. Cemitério Campo da Saudade.

                                           

Outra panorâmica do túmulo da Professora Maria Luíza.
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Escola Municipal de Ensino Infantil Maria Luíza Coelho Brandão. Residencial Dom Affonso Felipe Gregory, bairro Bom Jesus, em Imperatriz Maranhão.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Raimundo Nunes da Luz Ferreira (Neném Bragança) - Cantor e Compositor.

 

Neném Bragança

Há vozes que o tempo não consegue silenciar. Há presenças que permanecem vivas mesmo depois do último acorde. Assim foi a trajetória de Raimundo Nunes da Luz Ferreira — o inesquecível Neném Bragança.

Na madrugada silenciosa de 15 de janeiro de 2015, a cidade de Imperatriz perdeu mais que um artista: perdeu um pedaço de sua própria alma. Aos 55 anos incompletos, após uma luta firme e incansável contra um câncer de palato, Neném partiu, deixando um vazio impossível de ser preenchido. Internado em uma UTI, travou até o fim sua última batalha — com a mesma coragem que sempre demonstrou nos palcos da vida.

Nascido em 19 de março de 1960, na cidade de Bragança, no Pará, chegou ainda menino a Imperatriz, com apenas quatro anos de idade. Foi ali que criou raízes, construiu sua história e floresceu como artista. Nos anos 1980, sua voz começou a ecoar forte nos festivais de música da cidade — e logo se tornou impossível ignorá-lo. Não demorou para ganhar o apelido que carregaria com orgulho: “papa festivais”.

E não era por acaso. Neném Bragança encantava, arrebatava, emocionava. Cada interpretação sua era carregada de verdade, de sentimento, de vida. Ao lado do amigo, poeta e compositor Zeca Tocantins, formou uma parceria brilhante e quase imbatível, conquistando inúmeros prêmios na região tocantina e em diversas partes do Brasil. Juntos, escreveram não apenas músicas, mas memórias eternas.

Entre suas interpretações mais marcantes, destaca-se “Ave de Arribação”, composição do paraense Xavier Santos (Javier Dy Mayaba), que ganhou vida na sua voz e alcançou reconhecimento ao se tornar finalista do Festival Tribo, em São Luís, no ano de 1988. Era mais que uma canção — era emoção pura traduzida em melodia.

Ave de Arribação por Neném Bragança - 10º Salão do Livro de Imperatriz em 23 de junho de 2012. Vídeo: Fernando Cunha

Ave de Arribação, uma homenagem à Neném Bragança por Javier di Mayaba, Zeca Tocantins, Nando Cruz e Luis Carlos Pinheiro. 14º Salimp em 3 de dezembro de 2016. Vídeo: Fernando Cunha

Mas Neném não foi apenas um artista de talento raro. Foi símbolo de dedicação, de amizade, de amor à cultura. Sua história não se limita aos palcos: ela se espalha pelas lembranças de quem o ouviu, de quem o aplaudiu, de quem teve o privilégio de conhecê-lo.

Seu legado foi eternizado também na homenagem recebida do escritor e historiador Fernando Santos Cunha Filho, que o tornou patrono da cadeira 11 do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz. Um reconhecimento justo a quem tanto contribuiu para a identidade cultural da cidade.

Também seu eterno amigo Zeca Tocantins, o homenageou,  batizando seu espaço cultural de Galeria Neném Bragança, localizada no povoado Bela Vista, no vizinho estado do Tocantins.

Galeria Nenén Bragança - link da galeria no Google Maps.

Hoje, 08/04/2026, passados 11 anos de sua partida, sua ausência ainda ecoa — mas sua voz continua viva. Vive nas canções, nas histórias, nas saudades. Vive em cada lembrança que insiste em não se apagar.

Porque artistas como Neném Bragança não morrem.

Eles apenas se tornam eternos.

CD com algumas músicas interpretadas por Neném Bragança. Youtube.

Live em homenagem à Neném Bragança por Clauber Martins. Youtube - 20/01/2021

Cancão de Fogo - Composição de Clauber Martins em homenagem à Neném Bragança. Youtube - 20/12/2016

O artista está sepultado no Cemitério Campo da Saudade ao lado da sua amada mãe, Josefa Nunes da Luz Ferreira, falecida em 23 de outubro de 1998. Bairro Santa Inês em Imperatriz Maranhão, com sua localização no Google Maps no link abaixo.

Túmulo do cantor e compositor Neném Bragança.


Noticia do falecimento do Neném Bragança no JMTV (Mirante São Luis)

O cantor Neném Bragança em uma de suas inúmeras apresentações.


                                            
Neném Bragança acompanhado de músicos da extinta Banda Municipal de Imperatriz, apresentando-se em uma praça da cidade no início dos anos 2000. 
Foto: Jornal O Progresso.
                                       
                                           
                                            
Neném Bragança, Luis Carlos Pinheiro, Zeca Tocantins e um amigo. Festival de Música de Grajaú MA (FEMUG), em 1995. 
Foto: Zé Lopes (cantor e compositor - Bacabal MA).



         Túmulo do cantor Neném Bragança.                                                     


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Adalberto Franklin Pereira de Castro. Jornalista, historiador e escritor membro da Academia Imperatrizense de Letras.



Adalberto Franklin Pereira de Castro nasceu no dia 28 de abril de 1962, no Sítio Santo Antônio, em Uruçuí, no Piauí.  Filho de Martinho Alves de Castro e Iracema Pereira de Castro, cresceu entre o afeto da família e os sonhos de um jovem que desejava mudar o mundo para melhor.

Da infância simples em Balsas (MA) à juventude em Imperatriz (MA), cidade que o acolheu definitivamente, construiu sua história com trabalho, fé e coragem. Ainda menino, entre tipos móveis e o cheiro da tinta fresca, tornou-se tipógrafo. Dos 11 aos 22 anos, viveu o universo gráfico com dedicação admirável — ali nascia o homem das palavras.

Ingressou no jornalismo em 1983. Estudou História, na Universidade Estadual do Maranhão, e Direito, na Faculdade de Educação Santa Terezinha (Fest). É jornalista profissional desde 1986.

Foi editor-chefe do jornal “O Progresso”, de 1986 a 1988 e do jornal católico “Sinais dos Tempos”, de 1983 a 1991; redator de telejornais da TV Mirante em Imperatriz, em 1991; colunista do jornal “O Estado do Maranhão” em 1993 e 1994. Colaborou em diversos periódicos de circulação regional e nacional.

Sua voz ecoou firme, sempre guiada pela ética que carregava no próprio nome da editora que fundou em 1991 — a Ética Editora — responsável por mais de 400 títulos publicados.

Publicou oito livros, dois dedicados à história de Imperatriz, cidade que ele ajudou a narrar e a construir. Foi fundador de instituições, membro ativo de academias e vencedor de prêmios literários. Sua vida intelectual nunca se afastou do compromisso social.

Católico engajado, serviu à Igreja com devoção, atuando em pastorais e movimentos por décadas. Homem de fé, acreditava na transformação pela palavra e pela ação.

Exerceu os cargos públicos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Açailândia (1993-1994); presidente da Fundação Cultural de Imperatriz (1996-1998); secretário do Desenvolvimento Econômico de Imperatriz (2001-2002), quando fundou o Banco do Povo; presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura de Imperatriz (2002-2003) e secretário da Gestão Pública de Imperatriz (2004).

Adalberto amava o xadrez como quem compreende que a vida exige estratégia, paciência e inteligência. Fundou clube, presidiu federação, foi árbitro nacional e dirigente respeitado.

Recebeu comendas e títulos, reconhecimentos merecidos por uma trajetória de dedicação à cultura e ao Maranhão, e principalmente por sua dedicação a história e a cultura da cidade de Imperatriz.

Foi casado com Rosa de Sousa Castro, com quem teve três filhos: Marcos Vinícius, (advogado), Eduardo Franklin ( webdesign) e Mariana Castro ( jornalista); avô de Valentina, nascida em 2012 e Maria Helena, nascida em 2014.

Membro fundador da Academia Imperatrizense de Letras; membro efetivo da Academia de Letras, História e Ecologia da Região Integrada de Pastos Bons e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Ganhou duas vezes o “Prêmio Literário Academia Imperatrizense de Letras”.

Adalberto partiu na noite de 2 de março de 2017, após um AVC sofrido enquanto participava de uma reunião na Academia Imperatrizense de Letras — como se a própria vida tivesse escolhido despedi-lo no lugar que simbolizava sua paixão pelas letras.

Em sua homenagem a Prefeitura Municipal de Imperatriz, na administração do prefeito Assis Ramos,  inaugurou a Escola  Municipal Adalberto Franklin Pereira de Castro, em 17 de agosto de 2019. Implantada no Residencial Dom Affonso Felippe Gregory, a escola atende 491 alunos.

Outra homenagem da prefeitura de Imperatriz à memoria deste ilustre historiador, é a Avenida Adalberto Franklin, localizada na Vila Jackson Lago, setor do bairro Bom Jesus.

Adalberto deixou saudade, mas deixou, sobretudo, legado.
Um homem que viveu para escrever, educar, servir e amar.
Um nome que permanece gravado na história de Imperatriz — e no coração de todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.


Adalberto Franklin em foto no início dos anos 2000.


Adalberto Franklin


Adalberto Franklin em um dos seus inúmeros discursos.



Adalberto Franklin e Valdizar Lima quando entrevistavam o senhor Carlos Lima, durante pesquisas para o livro Repressão e Resistência em Imperatriz, em 6 de abril de 2014.

Adalberto Franklin durante a entrevista com o senhor Carlos Lima. 06de abril de 2014.


Repressão e Resistência em Imperatriz, livro de Adalberto Franklin e Valdizar Lima.

Lápide do túmulo do escritor, jornalista e historiador Adalberto Franklin, onde está sepultado ao lado do seu amado pai Martinho Alves de Castro (*03/03/1930 - +23/12/2005), de um irmão e um sobrinho. Cemitério Campo da Saudade em Imperatriz Maranhão.


Escola Municipal Adalberto Franklin Pereira de Castro.


Localização do túmulo de Adalberto Franklin no Google Maps. Cemitério Campo da Saudade em Imperatriz Maranhão.

Túmulo de Adalberto Franklin.

Localização da Avenida Adalberto Franklin na Vila Jackson Lago. Google Maps.

Avenida Adalberto Franklin

Localização da Escola Municipal Adalberto Franklin Pereira de Castro no Google Maps.

Escola Municipal Adalberto Pereira de Castro


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dorgival Pinheiro de Sousa - Vice Prefeito de Imperatriz Maranhão.

 

Continuando as homenagens póstumas, hoje a memória se curva em silêncio e respeito diante de Dorgival Pinheiro de Sousa. Um jovem que partiu cedo demais, aos 32 anos e três dias de vida, quando ainda havia tantos sonhos pulsando no peito. Sua partida abrupta interrompeu projetos, esperanças e um futuro que prometia ser grandioso. Ficou somente a saudade, uma viúva e quatro filhos que ficaram, herdeiros, não apenas do sobrenome, mas de uma história de luta, coragem e amor. 

Dorgival era desses homens que deixam marcas por onde passam. Na vida empresarial, destacou-se como um dos mais promissores de Imperatriz e de todo o sul do Maranhão. Seu empreendimento no beneficiamento de cereais era símbolo de trabalho sério e visão de futuro.  Uma empresa forte, respeitada, que movimentava a economia local, gerando empregos, serviços e dignidade para muitas famílias.

Mas Dorgival não se limitava ao mundo dos negócios. Seu olhar ia além do próprio sucesso. Na política, assumiu o cargo de vice-prefeito de Imperatriz com responsabilidade e compromisso. Ao lado do então prefeito Renato Cortez Moreira, demonstrava preparo, equilíbrio e sensibilidade social. Tinha vocação natural para a vida pública, e tudo indicava que alcançaria êxito em qualquer cargo que viesse a disputar.

Com sua partida, não foi apenas um jovem que se foi. Foi também o empresário visionário que impulsionava a economia, foi o político promissor que poderia acelerar o desenvolvimento regional, foi uma liderança em formação, arrancada antes do tempo. Imperatriz perdeu um filho dedicado. O sul do Maranhão perdeu um construtor de futuros.

Hoje, resta a saudade, que dói, mas também ensina. Ensina que algumas vidas, mesmo breves, são intensas e transformadoras.  Dorgival vive na memória, no legado e no exemplo. Importante lembrar que em Imperatriz, uma das principais avenidas do centro comercial, a Avenida Dorgival Pinheiro de Sousa, é uma homenagem à sua memória, assim também como a Rua Dorgival Pinheiro no centro de Açailândia MA, e a Rua Dorgival Pinheiro no bairro Liberdade, no Complexo Cidade Nova, em Marabá - PA, Centro de Ensino Dorgival Pinheiro de Sousa, tradicional escola pública do ensino médio e o Palácio Dorgival Pinheiro, sede da Câmara Municipal de Imperatriz. Todos este logradouros públicos, mantém viva a memória deste jovem cidadão que viveu tão pouco tempo entre nós.

Para descrever melhor a figura de Dorgival Pinheiro de Sousa, deixarei um belíssimo texto publicado no jornal O Progresso em 11 de novembro de 2021, com a assinatura de Dorian Riker Teles de Meneses, que é advogado e funcionário aposentado do Banco do Brasil, além de ter sido interventor estadual em Imperatriz de 1º de março a 31 de dezembro de 1996. 


“O homem não é feito para a derrota. Um homem pode ser destruído mas não derrotado.” (Hernest Hemingway).

Há fatos que marcam, indelevelmente, nossas vidas. Um desses, que assim consideramos, pelo absurdo de seu desfecho, foi o cruel e covarde assassinato de Dorgival Pinheiro de Sousa, em12 de novembro de 1971, há meio século, portanto.


Vice-Prefeito, industrial, tinha completado 32 anos três dias antes e havia comemorado esta data em sua chácara com grande desenvoltura, abraçado por imensa parcela da população, dada a sua popularidade, reconhecida, também, por sua larga prodigalidade, repartindo um pouco de seus haveres com os despossuídos, pois, aos sábados, filas se formavam à porta de seu escritório, situado na Avenida Getúlio Vargas e a todos buscava atender.

Piauiense de Canto do Buriti, radicou-se em Imperatriz, prosperou em larga medida, despontando como uma liderança autêntica que, sem dúvidas, influenciaria decisivamente a vida regional nos anos futuros. 

Com sua morte precoce, perdemos todos. Todavia, quem mais sofreu foi sua família e filhos que ficaram órfãos de seu mantenedor, arrancado do convívio doméstico de forma tão brutal.

O solo de Imperatriz, desafortunadamente, tem sido impregnado pelo sangue de muitos mártires. Nem religioso foi respeitado, o que até na época de Lampião era evitado, pois o Padre Josimo Moraes Tavares tombou em pleno dia, no centro da cidade, vítima de pistoleiros contratados por grileiros impenitentes.

Outro líder, o Prefeito Renato Cortez Moreira, no início do dia 06 de outubro de 1993 foi assassinado sem que lhes permitissem esboçar nenhuma defesa. Ali, no recinto do Mercado Bom Jesus, onde essa crueldade foi perpetrada, uma placa eterniza esse lúgubre e macabro evento, com os dizeres: 

“Neste local tombou, por defender o seu povo, às 06:30 vítima da violência do crime organizado, vil e covarde, o prefeito de Imperatriz: Renato Cortez Moreira, filho da terra de Imperatriz.”

Igrejas de várias denominações se destacam no panorama urbano de Imperatriz, demonstrando que a população devota reconhecimento ao Deus Criador e ao decálogo santo que, em um de seus preceitos, condena, com o termo imperativo “Não matarás”, embora os assassinatos, parece, tornaram-se acontecimentos banais na experiência local. 

Por que os homens continuam matando seus semelhantes? Há algo mais repugnante do que tirar a vida, roubar o futuro das pessoas e das famílias? Ora, se até Deputado Federal já foi morto à bala, no caso o Deputado Davi Alves Silva – que era homem muito poderoso –, quem poderá estar imune à ação deletéria e ominosa dessa gente desalmada?

Em todas as sociedades sempre existiram aqueles intolerantes e prepotentes que tiram a vida de seus desafetos. Sabemos, também, que desde o início da história bíblica Caim matou seu irmão Abel, por pura inveja, motivo mais do que fútil. Haverá, assim, solução aos conflitos humanos? Alguém poderá dizer que falta o temor de Deus no coração dos homens. Com certeza!

Vivíamos em Imperatriz há seis anos quando se deu a morte de Dorgival  Pinheiro de Sousa e sempre lembramos desse sinistro acontecimento que causou imensa comoção na cidade. 

Todavia, apesar da ação correta e oportuna das autoridades locais, forças ocultas operaram e o criminoso foi solto e se evadiu como um azougue. Até hoje é desconhecido o nome do mandante dessa barbárie. 

Destacamos a importância dele para o fortalecimento da Associação Comercial e Industrial de Imperatriz, da qual foi presidente. Citamos, também, sua participação efetiva no Rotary Clube e na Loja Maçônica Firmeza e Humanidade Imperatrizense. Outra realização com a qual ele contribuiu grandemente e que gerou imenso benefício social foi a fundação da Telimsa, dotando a cidade de sistema de telefonia local.

Já relatamos, em outra oportunidade, que, no começo de uma noite, fomos com Dorgival à antiga Rodobrás, onde o vice-presidente da República, Almirante Augusto Rademaker estava pernoitando. 

Levamos a ele uma flâmula do Rotary Clube de Imperatriz, do qual eu era presidente, e o Dorgival o saudou assim: “Excelência, temos algo em comum: Vossa Excelência é Vice-Presidente da República e eu sou Vice-prefeito.” O Almirante, um homem de estatura elevada, sorriu com cordialidade e agradeceu nossa visita. 

Assim era Dorgival. Espontâneo, participativo, detentor de uma personalidade dinâmica e muito interessado em contribuir para o desenvolvimento de Imperatriz. Ele é homenageado na importante Avenida que leva seu nome e em colégio municipal. Certamente se tivesse vivido mais tempo teria construído uma sólida biografia, com feitos que teriam sido realçados com os fortes traços de sua liderança.

Registramos, aqui, a saudade desse grande companheiro que tão cedo partiu. Destruíram sua vida, cinquenta anos se passaram, mas seu valor ficou registrado nos anais da História de Imperatriz, cidade a que dedicou sua vida para marcar o seu tempo.

* Dorian Riker Teles de Menezes é Advogado, Bancário Aposentado do BB, Ex-Deputado Estadual e Ex-Interventor de Imperatriz Maranhão.


Renato Moreira (prefeito) e Dorgival Pinheiro (vice-prefeito),  na posse de ambos na Prefeitura Municipal de Imperatriz em 31 de janeiro de 1970.
Acervo: Família Cortez Moreira


                                       
Dorgival (de gravata borboleta) e autoridades, na sua posse como vice-prefeito de Imperatriz, em 31 de janeiro de 1970.
Acervo: Família Cortez Moreira




                                       
Rara imagem de Dorgival e sua família. Na fotografia além de Dorgival e sua esposa, dona Maria Consolação Pinheiro, seus filhos Welkens (in memoriam), Rosângela, Dorgival Filho e Joaquim. Imagem feita no início dos anos 1970.
Acervo: Família Pinheiro de Sousa

                                                                          
                                       
Rua Bom Jesus sub esquina com Rua Godofredo Viana. O círculo marca o local exato onde Dorgival caiu abatido para a eternidade, na nublada manhã de 12 de novembro de 1971.
Fotos: Fernando Cunha - fevereiro 2026.

Cortejo fúnebre de Dorgival Pinheiro na chegada à Igreja de Santa Teresa D'Avila, antes de partir para o Cemitério São João Batista.
Acervo: Família Barbosa Bastos
 

                                                                               
Lápide no túmulo de Dorgival onde o mesmo está sepultado junto à sua querida mãe Rosalina e ao seu amado filho Welkens Pinheiro.
Foto: Fernando Cunha



                                       
Hall de entrada da Câmara Municipal de Imperatriz Maranhão, Palácio Dorgival Pinheiro de Sousa, uma das homenagens à sua memória. 
Foto: Fernando Cunha

                                        
Avenida Dorgival Pinheiro de Sousa, Imperatriz Maranhão em 2011.
Foto: Fernando Cunha


Para localizar o túmulo de Dorgival Pinheiro de Sousa no Cemitério São João Batista (Google Maps), clique no link abaixo:

Túmulo de Dorgival Pinheiro no Google Maps.


Ruas que homenageiam Dorgival Pinheiro de Sousa.

Localização da Rua Dorgival Pinheiro no bairro Liberdade em Marabá - Pará. Google Maps.

Rua Dorgival Pinheiro em Marabá PA

Localização da Rua Dorgival Pinheiro de Sousa em Açailândia - Maranhão. Google Maps.

Rua Dorgival Pinheiro de Sousa - Açailândia MA.

Localização da Rua Dorgival Pinheiro em Davinópolis - Maranhão.

Rua Dorgival Pinheiro - Davinópolis MA.

                                       

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Professor, poeta e escritor Arnaldo Monteiro dos Santos, membro da Academia Imperatrizense de Letras.

 


O Professor Arnaldo Monteiro nasceu em 15 de dezembro de 1948, em Sítio Novo–MA, trazendo consigo uma vocação que se revelaria ao longo de toda uma vida dedicada à palavra, ao ensino e ao serviço público. Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Técnica de Redação, fez da educação sua missão, formando gerações com sensibilidade, rigor intelectual e profundo amor pelo conhecimento. 

Licenciado em Letras, com sólida formação acadêmica e humana, construiu um percurso marcado pela busca constante do saber, transitando por diferentes áreas e aprofundando-se no estudo da linguagem como instrumento de transformação. Sua trajetória profissional reflete compromisso e responsabilidade, tanto no magistério quanto nas funções públicas que exerceu com ética e dedicação.

Mais do que ensinar regras gramaticais, Arnaldo Monteiro ensinou a pensar, a ler o mundo por meio das palavras e a expressar sentimentos e ideias com clareza e beleza. Sua contribuição à educação, à cultura e à imprensa regional permanece viva, como legado de alguém que fez da língua um caminho de encontro entre pessoas, saberes e sonhos.

Tenho orgulho de ter sido seu aluno por dois anos, quando cursava o segundo e o terceiro ano do ensino médio na Escola Técnica Amaral Raposo, aqui mesmo em Imperatriz. As aulas de Português e Literatura do professor Arnaldo eram verdadeiras preciosidades, transmitidas com sabedoria para uma plateia de alunos ávidos por conhecimento. Essas aulas enriqueceram meu conhecimento da  literatura brasileira,  me tornando um leitor assíduo dos nossos escritores nacionais e regionais. Professor Arnaldo nos deixou um vazio com sua partida para a eternidade, mas ao mesmo tempo deixou seu exemplo de um homem digno e de um profissional da educação dedicado a promover a educação completa dos seus alunos.

Professor Arnaldo, como era carinhosamente conhecido, era membro da prestigiada Academia Imperatrizense de Letras, ocupando a cadeira nº 23.

O mestre Arnaldo Monteiro faleceu na tarde de 25 de janeiro de 2018, na cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão, após procedimento cirúrgico, o mesmo enfrentava problemas cardíacos. Seu corpo foi trazido para nossa cidade e velado no salão nobre da Associação Médica de Imperatriz e sepultado no Cemitério Campo da Saudade.  

Para ver a localização do túmulo do Professor Arnaldo no Google Maps, clique no link abaixo.

Túmulo do Professor Arnaldo Monteiro.



Professor Arnaldo Monteiro com o fardão da Academia Imperatrizense de Letras.

                                            

Professor Arnaldo Monteiro em 1995.
Arquivo: Jornal O Progresso.

Professor Arnaldo Monteiro em destaque, o primeiro a direita, em uma das inúmeras solenidades da Academia Imperatrizense de Letras.


Em mais uma das solenidades da Academia Imperatrizense deLetras, com a participação do ilustre professor Arnaldo, em destaque a direita.


   



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Dr. Carlos Gomes de Amorim, ex-prefeito de Imperatriz MA.

 

Carlos Gomes Amorim não foi apenas um nome na história de Imperatriz — foi presença, foi cuidado, foi compromisso. Vindo de Alagoas na década de 1960, trouxe na bagagem muito mais que conhecimentos médicos: trouxe sensibilidade humana, espírito público e uma profunda vontade de servir. Como um dos pioneiros da medicina na cidade, sua atuação ultrapassou os limites dos consultórios e alcançou a vida das pessoas, especialmente nos momentos em que mais precisavam de amparo e esperança.

Dono de um verbo fácil e de uma escuta atenta, Carlos Amorim logo se integrou ao tecido social imperatrizense, participando ativamente das causas coletivas e colocando sua voz a serviço do bem comum. Seu engajamento na Maçonaria de Imperatriz refletia esse compromisso com valores como solidariedade, ética e fraternidade, que orientaram toda a sua trajetória.

Naturalmente, esse envolvimento profundo com a cidade o conduziu à vida pública. Eleito prefeito de Imperatriz entre 1977 e 1982, governou com o olhar de quem conhecia de perto as dores e os sonhos do povo. Sua gestão foi marcada pelo senso de responsabilidade e pelo desejo sincero de contribuir para o crescimento da cidade que o acolheu e que, por sua vez, passou a reconhecê-lo como um de seus filhos ilustres.

Dr. Carlos, como era carinhosamente conhecido, faleceu no dia 9 de dezembro de 2014 aos 84 anos. Ele estava internado em um hospital da cidade por ter adquirido uma forte pneumonia. Importante lembrar que ele havia sofrido um AVC tempos atrás. Casado com a sra. Inês Amorim, também já falecida, deixou três filhos, Carlos, Valéria e Catarina. Seu corpo foi velado na Associação Médica de Imperatriz e sepultado no Cemitério Campo da Saudade em Imperatriz Maranhão, onde está junto a sua esposa Inês Lemos de Amorim.

Para localizar o  do túmulo do Dr. Carlos no Google Maps, clique no link abaixo.

Túmulo do Dr. Carlos Gomes de Amorim e sua esposa Inês Lemos de Amorim.


Dr. Carlos Gomes de Amorim quando prefeito de Imperatriz MA.



Dr. Carlos, o primeiro a direita em reunião com autoridades políticas de Imperatriz quando prefeito da cidade.
                                          

                                            

Carlos Amorim com seu filho Carlinhos Amorim.

                                  

Dr. Carlos em um momento solene na Escola Santa Teresinha em Imperatriz, entregando diploma de colação de grau à aluna Venusia Ribeiro Milhomem.


                                                    

Túmulo do ex-prefeito de Imperatriz Maranhão, Dr. Carlos Gomes de Amorim e de sua esposa Inês Lemos de Amorim. Cemitério Campo da Saudade em Imperatriz Maranhão.


                                            
Lápide do túmulo do Dr. Carlos e sua esposa dona Inês.


                                           
                                   Túmulo do Dr. Carlos e sua esposa Inês Amorim. 13/01/2026.
            



Professora Maria Luiza Coelho Brandão - Educadora.

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